A chegada dos primeiros trezentos educandos rurais em março de 2001 inspirou o poeta e pastor José Jorge Almeida Pereira:
Penso de repente nas pedras...
Não nessas pedras preciosas, lindas e atraentes,
Que deslumbram os olhos e enchem de admiração
O coração e do desejo de possuí-las.
Não, não penso nas pedras que, por seu valor, enriquecem
Seus aquisitores, e lhes são orgulho de tão venturosa conquista...
Sabe?... Nem mesmo penso naquelas pedras
Que inspiram os poetas, ao vê-las simples e ali,
Monumentalmente adornando o cenário de um pequeno,
Plácido e florido riacho, de águas claras e cristalinas,
Quando o gorjeio de faceiras aves saúda as sombras da tarde
E a proximidade lenta da noite...
Penso nas pedras, sim, às margens das estrelas da vida:
Rudes, disformes, solitárias, desprezíveis - indiferentes aos que passam
E até as pisam, pois, que valor têm?
Pedras relegadas, ao monturo destinadas,
Desacreditadas de toda a expectativa de utilidade.
Quem, afinal, vai perder tempo com essas pedras?!
Pedras por lapidar! Meu Deus, são tantas!
Pedras, assim lapidadas (quem diria!) são hoje brilho e formosura,
Colunas fundamentais do edifico da vida.
Ontem, beleza alguma era vista para que viessem a ser o que são, hoje.
São assim os homens: pedras por lapidar
Benditas as mãos que as lapidam! Não ficarão sem recompensa.
Não há realização que mais contente, eleve e enobreça o espírito que vê pedras,
Grotescas e vis, transformadas em pedras de fulgor radiante, para além do que possa
Conceber a mente mais altruísta ou a crédula imaginação humana!
Mas estão aí as pedras, por lapidar.
O importante é conservar viva e fluente
A esperança, acreditar no potencial das pedras,
Mesmo aquelas que porventura hoje
Nada sinalizem quanto ao futuro,
Essas podem, amanhã, fazer florido
O caminho por onde transitarão vitoriosos os sonhos
Que embalaram o labor de toda a nossa peregrinação e persistência.
Pr. José Jorge Almeida Pereira